Artigo sobre a desinformação na CPI do MST de 2023 é apresentado no Coninter 2025
No dia 30 de outubro de 2025, apresentei o trabalho “Integridade da informação diante da desinformação: análise do caso do MST e do governo de Alagoas na CPI de 2023” durante o XIV Congresso Internacional Interdisciplinar em Ciências Sociais e Humanidades (Coninter). O evento aconteceu na Universidade de Vila Velha (UVV), em Vila Velha (MG).
Foi uma experiência muito boa! Estar em um espaço de partilha científica, depois da intensa construção desse trabalho, foi como ver o estudo ganhar vida, agora, fora das páginas do texto.
O resumo expandido apresentado no "Grupo de Trabalho 23 - Mídia, tecnologias sociais e direitos: práticas comunicacionais para transformação e inclusão" é um recorte da minha pesquisa de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Alagoas (PPGCOM-Ufal). Trata-se de um artigo que analisa a CPI do MST de 2023 como um caso emblemático de desinformação. A investigação inicial combina análise documental, análise de conteúdo e observação das reações comunicacionais do MST, entendendo a comunicação popular como forma de resistência e reconstrução de narrativas no espaço público.
O público presente demonstrou interesse pelo tema e pela abordagem metodológica adotada. Ao final da apresentação, o professor Dr. Franco Dani Araújo e Pinto, da Universidade Vale do Rio Doce (Univale), fez um comentário:
“Eu gostei muito do seu trabalho sobre a integridade da informação diante da desinformação desse caso. Ele faz um recorte muito bem definido, que é um ponto forte do seu trabalho. E o que mais me provocou no seu trabalho foi exatamente como as manchetes distorcidas e essas narrativas podem criminalizar alguns movimentos.”, disse.
Expliquei, então, que o estudo parte exatamente dessa constatação. As manchetes já indicam a criminalização quando dizem que o MST pratica “trabalho escravo” ou que o “governo de Alagoas financia as manifestações do movimento”. Em agosto de 2023, surgiram diversas notícias reproduzindo esse enquadramento, como a publicada pelo Jornal do Agro, motivada pelo vídeo divulgado no perfil do deputado Fábio Costa no Instagram, com o título: “CPI do MST: Dinheiro público, trabalho escravo e corrupção na relação entre o movimento e o governo de Alagoas”; e a do portal Cada Minuto, que afirmava: “CPI constata financiamento do governo a movimento sem terra e flagra trabalho escravo em Atalaia”. São exemplos como esses que me fazem analisar a CPI do MST enquanto um laboratório de desinformação, onde narrativas distorcidas se transformam em instrumentos de criminalização simbólica e desgaste político.
O professor Franco destacou também a relevância teórica da discussão. Ele afirmou ter gostado da forma como o trabalho trouxe a perspectiva da midiatização e dos algoritmos, dialogando com autores como Tarcízio Silva, Vera França e Byung-Chul Han.
Durante o debate, outras pesquisadoras trouxeram contribuições valiosas. Pauline Ribeiro Barros, que desenvolve doutorado sobre desinformação e regulação das redes sociais digitais no Brasil, perguntou sobre a mudança de percepção pública sobre o MST nas redes, após os episódios da CPI. Compartilhei que, pela análise documental e de conteúdo até o momento, percebo que o movimento reagiu com a hashtag #TôComMST, criando novos enquadramentos sobre sua atuação, especialmente ao destacar a produção de alimentos, a luta por terra e dignidade, e os relatos de trabalhadores que transformaram suas vidas através da reforma agrária. Esses conteúdos contribuíram para reposicionar o movimento e ampliar o entendimento público sobre sua importância.
A participação no Coninter foi uma experiência enriquecedora sob diversos aspectos. As atividades paralelas, embora simultâneas, me proporcionaram aprendizados valiosos, além de novas referências e network. Destaco a oficina “Colonialismo de dados, modulação de comportamento do usuário e desinformação”, ministrada pela professora Dra. Pauline Ribeiro Barros; o minicurso “Da nuvem ao colapso: estética, infraestrutura e dominação no capitalismo contemporâneo”, com o prof. Dr. Gabriel Teles (UnB); e o minicurso “Feminismo, maternidade e reprodução social: justiça, trabalho e cuidado”, com Laura Carvalho Pastro, que me tocou por dialogar com minha trajetória como mulher e mãe solo.
Esses encontros me fizeram refletir que a pesquisa é também um processo de autoconhecimento e de construção coletiva. O caráter interdisciplinar do meu estudo, que tem a comunicação como área-mãe, mas dialoga com sociologia e ciência política, se beneficiou muito da troca com pesquisadoras e pesquisadores de outras áreas.
Voltei de Vila Velha com o coração cheio de gratidão. Agradeço à organização do XIV Coninter, pela seriedade e acolhimento; à Ufal através da Propep, pelo incentivo à pesquisa; à minha orientadora, Profa. Dra. Laura Pimenta, pelo apoio; e à minha rede de apoio, que tornou possível a minha participação.
Em breve vou disponibilizar um pouco mais sobre meu artigo aqui no meu blog! Aguardem!
Lara Tapety

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