Professor Alexandre Fleming rebate comunicado do reitor e critica falta de planejamento e organização na gestão do Ifal
O Instituto Federal de Alagoas (Ifal) está enfrentando uma crise financeira que tem gerado divergências entre a gestão e membros da comunidade acadêmica. Após o reitor Carlos Guedes de Lacerda emitir um comunicado atribuindo as dificuldades financeiras ao bloqueio orçamentário promovido pelo governo federal, o professor Alexandre Fleming veio a público para criticar a explicação oficial e apontar falhas administrativas internas como uma das causas principais da crise.
Em seu comunicado, o reitor destacou que, desde julho de 2024, o Ifal sofreu um bloqueio de 18% nas despesas discricionárias, o que comprometeu o orçamento destinado a despesas essenciais, como manutenção de contratos, energia elétrica e segurança. Lacerda também mencionou que a suspensão de emendas parlamentares, em virtude de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), agravou ainda mais a situação, deixando o instituto com R$ 3,5 milhões em créditos não empenhados e outros R$ 3 milhões aguardando pagamento.
Em resposta, o professor Fleming rebateu as declarações do reitor, afirmando que a gestão está mascarando os problemas administrativos do Ifal ao colocar a culpa exclusivamente nos cortes governamentais. "O reitor tenta desviar a atenção para os bloqueios orçamentários do governo, mas ignora que a falta de planejamento e organização dentro da própria instituição também é responsável por essa crise", declarou Fleming.
O professor criticou a centralização das decisões na reitoria e a falta de diálogo com a comunidade acadêmica, além de destacar a dependência excessiva de emendas parlamentares como um problema recorrente. Para ele, essa dependência deixa o Ifal vulnerável a interesses políticos, prejudicando uma alocação justa dos recursos entre os campi. "A gestão falha ao não buscar alternativas financeiras sustentáveis e, ao invés de reconhecer as próprias falhas, prefere culpar o governo federal", afirmou.
Fleming também questionou a transparência na administração dos recursos e apontou para a necessidade de uma revisão interna das práticas de gestão. "Seria mais honesto se a gestão do Ifal olhasse para dentro e refletisse sobre seus próprios erros, ao invés de responsabilizar apenas fatores externos", concluiu o professor.
O confronto de opiniões entre a reitoria e o professor Alexandre Fleming revela as tensões dentro da instituição, com a comunidade acadêmica buscando respostas e soluções que possam garantir o funcionamento pleno do Ifal diante das dificuldades financeiras.
Por: Lara Tapety
Confira o comunicado do reitor do Ifal: https://www2.ifal.edu.br/noticias/comunicado-sobre-o-orcamento-2024-1
Veja a resposta do professor, divulgada em grupos do WhatsApp, na íntegra:
Prezados servidores/as,
A nota do reitor Carlos Guedes de Lacerda traz à tona um problema que não é novo: a má gestão, mascarada pela eterna dependência de emendas parlamentares, que serve como moeda de troca para tratar os campi do IFAL de forma desigual, conforme interesses políticos e institucionais. A crítica principal à nota está na tentativa de culpar o governo federal e as medidas orçamentárias, sem uma mínima reflexão sobre a falta de planejamento interno e a ausência de um diálogo verdadeiro e coletivo dentro da própria instituição.
O reitor tenta atribuir ao governo a responsabilidade pelos bloqueios orçamentários e pela crise financeira, mas ignora que essa crise é também resultado de uma administração desorganizada, que não soube se preparar para enfrentar cenários de contenção de gastos. A dependência exacerbada de emendas, além de ser uma falha de planejamento, reflete a falta de uma estratégia clara para distribuir os recursos de forma justa entre os campi. Fica evidente que as emendas são manipuladas para atender a interesses que nem sempre refletem as necessidades reais das unidades.
Outro ponto alarmante é a ausência de um controle efetivo das contas, algo que deveria ser uma prioridade desde o início da gestão. Ao invés de buscar soluções internas, melhorar a eficiência dos recursos disponíveis e fomentar a transparência, a reitoria opta por seguir o caminho mais fácil: jogar a culpa para fora e continuar refém de emendas, que são inconstantes e sujeitas a interesses políticos.
Além disso, o comunicado sequer menciona qualquer esforço real para engajar a comunidade acadêmica na busca de soluções. Não há diálogo, não há participação coletiva para pensar alternativas de ajuste das contas ou para encontrar formas criativas de administrar a instituição. A gestão central se distancia das bases, deixando a comunidade acadêmica à mercê de decisões unilaterais, que muitas vezes prejudicam as atividades de ensino, pesquisa e extensão.
Portanto, ao invés de culpar exclusivamente o governo federal, seria mais honesto se a gestão do IFAL olhasse para dentro e refletisse sobre suas próprias falhas. Sem organização, planejamento e diálogo com a comunidade, o futuro do IFAL continuará comprometido.
Professor Alexandre Fleming
Ifal - Campus Maceió

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