Asfalto na praia de Garça Torta

Por que não colocar asfalto na rua São Pedro, em Garça Torta?


Quem conhece a praia de Garça Torta, no litoral norte de Maceió, Alagoas, geralmente se apaixona pelo lugar com ar de interior, mas dentro da cidade. Ali todo mundo se conhece. O ambiente conta com pessoas sentadas em frente às portas de casa conversando, crianças jogando bolinhas de gude (ximbra) na rua de barro, andando de bicicleta, famílias reunidas na praça São Pedro, seja discutindo assuntos do bairro ou do cotidiano, com ou sem uma cervejinha.

Garça Torta, porém, está cada dia mais ameaçada pela especulação imobiliária e pela pressão do chamado "progresso", que tem mais a ver com a padronização de tudo para atender os interesses do mercado financeiro, a qualquer custo.

Afinal, o que é progresso? Que modelo de cidade queremos? Será que asfalto e concreto são bons para a comunidade e frequentadores do local? - Essas foram algumas questões apontadas durante anos por moradores críticos às construções de espigões na praia, ambientalistas, urbanistas, jornalistas, intelectuais, artistas, entre outros.

Por alguns anos, um grupo formou o Movimento Abrace a Garça voltado para a preservação ambiental, cultural e paisagística da região. Depois, foi criada uma comissão de moradores para enfrentar os projetos nada sustentáveis impostos para o bairro.

Infelizmente, a desinformação não apenas é grande, como também é forte, porque tem por trás os interesses de poderosos do setor imobiliário e dos bancos. Muita gente é convencida que ter ruas asfaltadas e grandes prédios é sinônimo de desenvolvimento. Enquanto isso, continua faltando saneamento básico, espaços públicos de lazer dignos, investimentos em postos de saúde, creches e escolas.

Alguns podem achar que "uma coisa não exclui a outra", mas, de fundo, o debate é sobre prioridades e o modelo de sociedade justo e sustentável. Afinal, o mundo está sofrendo as consequências desse modelo atual voltado para o lucro, sem a devida preocupação com o meio ambiente. Desastres ambientais, mudanças climáticas, aumento da fome, desemprego e pandemia são exemplos das escolhas da humanidade dividida em classes sociais, onde quem manda é ganância de poucos.

A rua São Pedro não deveria ser asfaltada porque:
1) É estreita e tem características particulares, históricas, culturais e sociais;
2) Ela é uma via de tráfego lento, local, e não para grande circulação (não para "cortar" possíveis engarrafamentos, por exemplo);
3) O asfalto aumenta muito o calor, que já é grande ali,
4) e ainda impermeabiliza o solo (não deixa a água passar). Mesmo com uma drenagem, o asfalto ficaria cheio de buracos;
5) Ali, o asfalto causará danos paisagísticos e turísticos, pois a rua da praia ficará desagradável visualmente - além de quente - e fora dos padrões de planejamento urbano para o turismo. Em síntese, vai ficar muito feia.

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