Notas de pesar
Nos últimos dias escrevi três notas de pesar de pessoas que faleceram em decorrência da Covid-19. Três perdas tristes em menos de uma semana. Se tem uma tarefa que considero mais difícil enquanto assessora de comunicação é escrever nota de pesar.
Nem sempre conheço quem se foi, mas sempre sinto a dor de quem perdeu o ente querido. Sinto mais quando sei que perdemos uma pessoa boa e que essa morte poderia ter sido evitada se não tivéssemos um genocida na presidência.
Professor Edvaldo, companheiro de caminhadas e ex-vizinho; Irmão Geovan, monge que vi acompanhar a CPT e empobrecidos; e hoje, Padre Ronaldo, que celebrava missas em duas comunidades de assentamentos acompanhadas pela CPT aqui em Alagoas.
Padre Ronaldo tinha exatamente a minha idade. Espero que ele segure a mão de Jesus em outro plano. Por aqui, precisamos segurar as nossas mãos.
Quando recebi a notícia, havia chegado da doação de 250 cestas camponesas e nas periferias de Maceió e do Largo, como parte da campanha de solidariedade em celebração aos 46 anos da CPT no Brasil.
No terreiro da mãe Vera, um menininho esperto e curioso pediu para ver minha câmera, pegar no microfone. Eu registrei aquele momento, que me engrandece a alma, me cura e fortalece.
A sensação de escrever as notas de falecimento, por outro lado, é de impotência, fraqueza, moleza. A gente fica meio adoecida... mas precisa reagir, e é o que faço.
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Com imenso pesar, a CPT de Alagoas recebeu a notícia do falecimento do padre Ronaldo Silva dos Santos, na tarde desta terça-feira, 22 de junho. Mais uma vítima da Covid-19 e do governo federal.
Todos os meses, padre Ronaldinho presidia voluntariamente a celebração eucarística em duas comunidades rurais no município de São Miguel dos Milagres: assentamentos Jubileu 2000 e Quilombo dos Palmares. Muito alegre, festivo, cantava forró pé-de-serra. Era feliz. Agora, sua felicidade está na Páscoa definitiva.
Aos 36 anos, acometido pela doença, estava hospitalizado, em estado grave, desde o dia 30 de maio, chegando ao óbito hoje após sofrer uma parada cardíaca na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Deus acolhe em sua infinita misericórdia.
Ao tempo em que compartilhamos a dor da perda, nos solidarizamos aos amigos e familiares. Que Deus conforte seus corações e lhes dê força para seguir com fé, esperança e rebeldia por dias melhores!
Insistimos à todas e todos na importância de seguir as medidas protetivas de combate ao coronavírus. Usar máscara, lavar as mãos frequentemente, passar álcool em gel, manter o distanciamento social. Todo cuidado em nome da vida.

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