#Éfeministamas | Que tal denunciar o machismo velado novamente?



*Spoiler: Se tiver preguiça de ler, vai para o final do post onde tem enumeração para refletir sobre o tema

Este 25 de novembro, Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher, não poderia ser uma data melhor para retomar as publicações em meu blog, bem como para recolocar no ar a postagem que retirei após um desgaste no meu último relacionamento.
Há dois anos, neste mesmo período, censurei meu próprio texto sobre a hashtag “meuamigosecreto”. Meu então companheiro, ao invés de fazer autocrítica diante das posturas machistas em que se encaixou no relato, sentiu-se incomodado pela exposição que supostamente o causei. De fato, o depoimento detalhado permitiu que pessoas próximas desvendassem facilmente quem eram os meus amigos ocultos. O fato de ele ter ficado chateado, como muitos homens durante a campanha, fez-me silenciar, o que reflete uma outra face do machismo.
Não vale a pena deixar de compartilhar experiências que podem fortalecer nosso empoderamento feminino e o combate às opressões de uma forma geral. Não falar sobre o machismo – e também racismo ou LGBTfobia – velado no cotidiano contribui para a sua perpetuação como natural.
A denúncia é um importante instrumento para criar a consciência, tanto em relação à violência, quanto sobre a objetificação das mulheres no dia a dia. Quanto menos apontamos os comportamentos incoerentes de pessoas que não se julgam machistas, mais eles se reproduzem, porque são socialmente aceitos.
Em 2015, quando a hashtag “#meuamigosecreto” se tornou viral nas redes sociais, estava em discussão o projeto de lei que dificulta o acesso à pílula do dia seguinte em postos públicos, o PL 5069/2013. Hoje, entre tantos outros retrocessos de direitos que atingem mais as mulheres, lutamos contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC 181/2011) que restringe aborto até em caso de estupro. Somando as propostas: a mulher é estuprada, não pode prevenir a gravidez indesejada e depois é obrigada a ter o filho do agressor.
Vale destacar que o Brasil é um dos países onde há mais estupros e onde uma mulher morre a cada dois dias por abortos clandestinos.
Se pararmos para pensar, ambas propostas citadas não apenas dizem respeito à violência contra a mulher, como são parte da própria violência, um atentado às nossas escolhas, aos nossos corpos, às nossas vidas.
Na contramão à Lei Maria da Penha, sancionada em 2015 por Dilma (bom lembrar o fato de ter sido sancionada por uma mulher, apesar das críticas ao seu governo), os debates no âmbito do Poder Legislativo têm tudo a ver com a cultura machista. É esta cultura que tira da mulher o poder de decidir, a trata como inferior, como uma coisa, um objeto de dominação.  O estupro é exemplo disso: o poder de dominar o corpo no outro.
A cultura machista é tão impregnada na sociedade que muitas de nós, vítimas das mais variadas violências, não nomeamos como violência aquilo que vivenciamos. E como saber se estamos sofrendo uma agressão? A Lei Maria da Penha, classifica 5 tipos de violência contra a mulher: patrimonial, sexual, física, moral e psicológica. Porém, somente nós sabemos a nossa dor.
Não é a lei que vai mostrar os comportamentos que contribuem com a manutenção da cultura machista e, consequentemente, com a violência contra a mulher. É preciso denunciar e criar consciência.
Se queremos homens ao nosso lado na luta por equidade social, política e econômica entre todos os gêneros, por justiça social e liberdade para todas e todos, é preciso apontar posturas opostas ao empoderamento feminino, aos direitos reprodutivos da mulher e ao fim dominação e da exploração da mulher pelo homem.

- Se você, homem, não se julga machista, mas:
1. Aumenta o tom da voz falando com uma mulher para se sobressair
2. Minimiza e menospreza a dor - física e/ou emocional - da mulher
3. Não divide, de fato, as tarefas domésticas
4. Lava os pratos, mas se recusa a lavar um banheiro
5. Acha que está “ajudando” em algo que é sua obrigação e ainda espera ser agradecido
6. Apesar da mulher da casa – seja mãe ou esposa – também trabalhar, sempre está “cansado” para fazer sua parte
7. Joga a carga mental de planejar, organizar e saber de tudo para a mulher
8. Pressupõe que a mulher está sempre disponível
9. Considera que dedicação é dependência emocional
10. Sua carreira profissional sempre é mais importante que a da mulher
11. É a mulher que deve abrir mão de qualquer coisa (por exemplo: ela fica com as crianças e você vai estudar e seguir sua vida)
12. Se sente desconfortável quando a mulher ganha mais
13. Tem filho e é pai-quando-dá, não cuida
14. Usa o debate da legalização do aborto quando sua companheira está grávida e você não quer o filho
15. Usa a defesa ao direito à escolha para jogar o peso das escolhas do casal apenas sobre ela
16. Trai a companheira
17. Trai sua companheira quando ela está doente, com dores menstruais ou grávida
18. Não trai, mas age como macaco, que só larga um galho quando segura outro (trata a mulher como um objeto descartável)
19. Faz um filho com a mulher e a deixa sozinha, enquanto se diverte, toma umas cervejas e transa com outras mulheres
20. A mulher é que sempre precisa pedir para colocar a camisinha
21. Toma a cervejinha com os amigos, mas não gosta que ela faça o mesmo com as amigas
22. Se incomoda se a mulher comenta com outras pessoas sua postura machista e não revê a postura
23. Ao invés de fazer autocrítica sobre sua postura machista, fica com raiva da mulher que o criticou
24. Argumenta que muitas dessas questões acima podem acontecer tanto com homem, quanto com a mulher
- Está longe de ser feminista.
- Se você, mulher, acoberta tais posturas ou acha que também pode fazer o mesmo, está apenas reproduzindo o machismo. Cuidado, você pode ser a próxima vítima.
Tenho certeza que, se usarmos a hashtag #éfeministamas, vem muita denúncia por aí! Que tal?



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