Colo de mainha
Eu quero colo de mainha
porque mãe é qualquer uma
mainha é do nordeste
Mainha dava cheiro, dava dengo
Mas num dava só colo não
também dava cascudo no quengo
e até pisa de cinturão
Quando essa manteiga derretida chorava
mainha dava colo na hora
Mas mainha vive indo embora
E agora?
Sua existência me conforta
mas ainda estou triste
Isso é o que importa
Triste com a tristeza do mundo
E com minha egoísta tristeza
que não cabe em mim
Peço com sutileza
o colo de mainha
Eu quero colo
para chorar por esse mundo-circo
onde o palhaço chora sem motivo
o povo ri de coisas sem graça
Para derramar minhas lágrimas
pelas crianças que brincam nas ruas
e pelas que não brincam também
pelas crianças de rua
que mãe não têm
Eu preciso de colo
porque mãe ainda é mãe
mas não como deveria ser
As pessoas não se amam
só almejam o poder
Lara Tapety
Junho de 2005
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